SERRA NEGRA E BRAGANÇA PAULISTA NA MIRA DA POLÍCIA FEDERAL

Foi a delação do empresário da MC3 Tecnologia responsável pelas prisões em Bragança Paulista e Serra Negra na manhã desta quinta-feira, 23, pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Círculo Vicioso.

A CONTRATAÇÃO

Fabiana Gilho Alves de Almeida foi presa, no Jardim Europa, em Bragança Paulista. Já Ângela Polentini, foi detida em Serra Negra. Ambas, segundo a delação teriam sido “contratadas” pelo empresário, juntamente com Juliana de Paula Louro Stort, presa em Ilhabela, para “compensar” a contratação da filha de Francisco José Adriano na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.

Na época, Adriano era diretor financeiro da CODESP.

Amanda Fernandes Adriano Gomes realmente foi durante um período assessora parlamentar. Ela, aliás, era lotada no Gabinete da Liderança do DEM da Assembleia Legislativa.

Paladino revelou à polícia que fazia pagamentos mensais para Francisco José Adriano no valor de R$ 60 mil e que foi ele quem pediu que simulasse a contratação de três empregadas: Fabiana, Ângela e Juliana. Ele relatou a polícia que depositava dinheiro nas contas, das três, mas que elas nunca prestaram serviços para sua empresa ou CODESP.

Segundo a PF os depósitos eram de R$ 4.375,00. Os pagamentos, teriam ocorrido entre os meses de janeiro de 2018 até a data da prisão de Mario Paladino. Ele foi preso no dia 31 de outubro de 2018 na primeira fase da Operação Tritão. O denunciante alegou inclusive que chegou a ficar com as Carteiras de Trabalho das três, mas nunca as registrou.

Ainda segundo inquérito da PF, quem cobrava o pagamento, mensalmente, era André Pinto Nogueira. Na época, aliás, ele também era assessor no gabinete da liderança do DEM.

A MEDIAÇÃO DOS PAGAMENTOS

Ex-assessor na Alesp, André Nogueira já foi condenado pela Justiça. Ele foi condenado por ter recebido R$ 858 mil pelo fornecimento de capacetes e escudos que deveriam ser entregues para a 11.ª Brigada de Infantaria Leve. O fato ocorreu em Campinas, em 2004. Nogueira também é acusado de cobrar pedágios dos servidores municipais e devolver dinheiro ao deputado Edmir Chedid.

Pouco antes da operação ele fugiu do seu apartamento em São Paulo. Ele usava um boné e estava com uma mochila nas costas.

DEPUTADO CHEDID NÃO SE MANIFESTOU

A assessoria do Deputado Edmir Chedid até o fechamento desta matéria ele não deu retorno. O parlamentar não é citado como investigado. Vale lembrar, que por ocupar uma cadeira na Assembléia Legislativa, Chedid tem foro privilegiado.

A ação da PF contou com o apoio da Controladoria Geral da União. O Ministério Público Federal também participou da ação que faz parte da segunda etapa da Operação Tritão que foi desencadeada em outubro de 2018. O objetivo é desmantelar uma organização criminosa que há anos vinha fraudando licitações e contratos públicos na Companhia Docas do Estado de São Paulo – CODESP.

OS MANDADOS

De acordo com a PF foram cumpridos 21 mandados de prisão temporária. Além disso foram cumpridos também 24 mandados de busca e apreensão. A PF cumpriu mandados em São Paulo, Santos, Guarujá, Ilha Bela, Bragança Paulista, Serra Negra, Duque de Caxias e Fortaleza. Os mandados foram expedidos pela 5ª Vara da Justiça Federal de Santos.

Os investigados são acusados de Organização Criminosa, Associação Criminosa, Fraude a licitações , Corrupção ativa e passiva.

Em nota a Polícia Federal informou que conseguiu comprovar as fraudes inicialmente investigadas, além de outras que permaneceram sendo executadas mesmo após a prisão de alguns membros da organização criminosa. Os prejuízos causados à Companhia Docas do Estado de São Paulo segundo a PF superam, nessa etapa, a cifra de mais de R$ 100 milhões.

O ALVO PRINCIPAL

O principal alvo da operação é o ex-deputado federal Marcelo Squassoni, Na última eleição para deputado, ele fez em Bragança Paulista dobradinha com o deputado Edmir Chedid. Em Bragança Paulista, Squassoni teve em 2018, 3507 votos, sendo o quarto deputado federal mais votado na cidade.

O deputado é acusado de receber 1,6 milhão em propina. A polícia classificou como endêmica a corrupção e disse durante coletiva de imprensa que “houve a importação de um case de sucesso de corrupção”, já que segundo eles as investigações mostraram que o ex-deputado teria um esquema de propinas desde quando era vereador no Guarujá.

A AÇÃO EM BRAGANÇA

Apesar de nos autos constar um endereço em Bragança Paulista da Praça Jacinto Domingues, no centro, segundo o advogado João Raposo, que é advogado de Fabiana Gilho, o escritório nada tem a ver com a operação. A PF cumpriu, segundo ele, mandado de busca, na residência de sua cliente no Jardim Europa.

Realmente quando a reportagem chegou ao endereço citado no centro não havia qualquer movimentação policial.

O advogado João Raposo ressaltou que sua cliente não sabe o porque seu nome está envolvido na operação e acredita que sua documentação tenha sido usada de forma irregular, por terceiros. Ela trabalha como protética.

Perguntando pela reportagem qual a ligação dela com o ex-deputado Marcelo Squassoni, ele afirmou que sua cliente não sabe quem é o ex-deputado.

Na denúncia apresentada pela Polícia Federal há cópias de depósitos feitos pelo empresário Paladino à acusada. Também há cópias de depósitos para as outras investigadas.

OUTROS ALVOS, EM SERRA NEGRA

Ângela Polentini presa em Serra Negra é mulher do vereador e ex-vice-prefeito de Serra Negra, Felipe Amadeu, do DEM. Já Juliana de Paula Storti é ex-chefe de gabinete do prefeito cassado de Ilhabela, Márcio Tenório, do MDB. Ela tem um relacionamento afetivo com o prefeito. Além disso, Juliana chegou a ser candidata a prefeita em 2016.